Você já se olhou nos olhos?

Quando foi a última vez que você se olhou nos olhos? A última vez que reparou em cada detalhe de cor que existe ao redor da bola preta que permite que você enxergue tudo? Quantas coisas você tem que olhar até chegar no momento de observar aquilo que está mais perto de você a maior parte do tempo: você mesmo?

Jordan Peterson é um psicólogo canadense e uma das maiores mentes pensantes dos tempos atuais. Ele escreveu um livro chamado “12 Regras Para a Vida”, e dentre uma enorme quantidade de reflexões que ele nos traz, uma delas é sobre as coisas mundanas, aquilo que é trivial e cotidiano. O Dr. Peterson diz que as pessoas não questionam e não se perguntam sobre aquilo que é mundano, mas, segundo Jordan, este é o exato motivo pelo o qual nós devemos questionar e pensar sobre elas, pois estão na nossa vida o tempo todo.

Essa reflexão do Dr. Peterson me fez pensar sobre sentimentos, características, coisas… enfim, palavras de um modo geral que estão presentes na minha vida. E uma palavra que muitos de nós achamos que sabemos o que significa, mas na verdade a maioria não tem noção nem de 1% do poder dela, é a ‘Comunicação’, e devo confessar que a reflexão um pouco mais elaborada que tenho feito sobre essa palavra devo muito à Aptitude. Ela traz uma ideia e espalha um conceito sobre como encarar a comunicação que talvez eu demoraria décadas para chegar ali sozinho.

Comunicação. Comunicação… Comunica – ação. A ação de comunicar. Como eu posso me comunicar? Quantas formas além da palavra eu tenho de exercê-la? Seria a inação comunicativa, ainda, comunica-ação? As mesmas palavras podem ser interpretadas de formas diferentes dependendo do tom que eu falo? Deixar de falar pode me trazer uma comunicação melhor?

São muitos questionamentos, mas o que eu gostaria de aprofundar junto com vocês hoje é na comunicação interna, a comunicação de si com si mesmo.

Acontece que em um mundo de correria e falta de tempo, o ‘trocar ideia com o cara do espelho’ acaba ficando em último plano, tornando fácil e desvio do propósito no percurso. eu mesmo me surpreendi quando me olhei no espelho, sempre achei olhos verdes e azuis tão bonits, mas eu nunca tinha reparado na beleza dos meus olhos castanhos e na quantidade de detalhes que eles me oferecem para observar. Percebi que, por anos da minha vida, eu nunca havia reparado de verdade como eram os meus olhos.

O que eu quero dizer é que se olhar para se arrumar é uma coisa, mas se olhar nos olhos da mesma forma que você faz quando conversa com alguém que ama, é outra totalmente diferente. O engraçado é que, enquanto eu escrevo, consigo sentir pensamentos de ‘que narcisista falando da beleza dos próprios olhos’ ou então ‘como assim se olhar como olha a alguém que ama? Que coisa estranha!’. E olha que até esse momento, somente eu li esse texto (na verdade, ele nem está pronto ainda, mas quando você estiver lendo, vai estar).

Acontece que, a maioria das pessoas não arrumam tempo para elas mesmas, a correria é muito grande, final de semana tem que ficar com a família, ver os amigos, tomar cerveja e descansar, dormir. Além disso, as pessoas olham àqueles que tiram esse tempo para si, para àqueles que se amam e apreciam a si mesmo, com inveja. Dependendo da roda em que se encontra, se amar é feio, se achar bonito é ser metido, admirar as próprias conquistas é arrogância.

As pessoas não sabem sobre elas mesmas, e muitas têm raiva das que desenvolveram essa habilidade. Não é tão fácil assim quanto parece, mas podemos fazer um teste para saber se você se conhece: Você é interessado em você mesmo? Quais as 3 coisas que mais gosta de fazer? E as 3 que menos gosta? Quais suas 3 melhores características? Quais as 3 piores? O que você evoluiu na sua vida esse ano? O que gostaria de evoluir?

Não é tão fácil quanto parece é? Pois nem mesmo eu conseguiria responder essas perguntas tão rapidamente, pelo menos não com precisão, mas posso dizer que me acho uma pessoa fascinante, e tenho sido cada vez mais curioso sobre mim mesmo, mas nem todas as pessoas conseguem perceber esse ‘auto-interesse’.

Sempre que nos deparamos com um problema, basta saber que para tudo existe um começo, meio e fim, e nesse caso o início seriam as causas, e acredito ser a primeira delas a perda do foco.

É muito fácil perder o foco de um caminho (ou propósito), quando as coisas começam a acontecer. Às vezes você teve essa experiência de se conectar consigo mesmo, mas no decorrer dos seus projetos as coisas começaram a acontecer e quando você percebe, está tomando um curso que não era o planejado no início. E não me entenda mal, mudanças são boas, mas devemos tomar cuidado quando o propósito inicial é dispersado.

Uma segunda causa, poderia ser a falta de importância que se tem para com a comunicação interna.

Acontece que muitas vezes nós nem mesmo sabemos o que está acontecendo com a gente. Por que eu engordei? Por que estou tão magro? Por que me sinto mal o tempo todo? Quando foi que fiz 30 anos de idade? Por que tomei as decisões que tomei? Por que eu ajo dessa forma?

São muitos os que percebem isso, poucos os que questionam o sentimento a fundo, e menos ainda aqueles que decidem dedicar tempo a descobrir o motivo. E por falar em tempo… uma loucura não? Quanta correria!

Acho engraçado ouvir essa palavra ‘correria’, pois a pessoa conseguiu arrumar centenas de horas para resolver tantos assuntos, mas muitas vezes não encontrou 30 minutos para fazer aquela visita que disse que faria.

As pessoas não fazem tempo, não separam tempo, não arrumam tempo, ou seja, não têm tempo, e mesmo quando têm tempo, não prestam atenção em si mesmo, não descobrem algo sobre si, os questionários mais difíceis de serem respondidos são os que perguntam da nossa própria pessoa. Não parece insanidade isso? Afinal, você está 24 horas por dia com você mesmo, por mais estranho que pareça, você é dois, e essa é uma ideia trazida por Jean Paul Sartre no seu livro ‘A Transcendência do Ego’, que foi brilhantemente resumido em um vídeo de menos de 4 minutos do professor Clóvis de Barros Filho

Seja encantado com você mesmo ● Clóvis de Barros Filho

Portanto, como é que pode saber tão pouco sobre si mesmo?

E uma terceira possível causa seria a falta de conhecimento sobre como falar com o nosso eu interior. Por exemplo: ok, bacana, saber sobre mim mesmo, entendi, importante, arrumei tempo, estou aqui, agora como vou fazer isso?

Um questionamento interessante e um tanto confuso, não seria?

Mas não apenas porque não conseguimos fazer no momento, devemos desistir. Afinal, um dia da sua vida você não conseguia falar, mas hoje está aí, tagarelando para todo lado.

Como falamos, o começo seriam as causas, podemos dizer então que o meio seriam as consequências? Eu diria que sim, me parece correto.

Uma primeira consequência seria o não reconhecimento. Não saber quem nós mesmos somos é um dos maiores abismos que podemos entrar. Alguém que está próximo de nós, sabemos dizer quando a pessoa está bem, mal, com raiva, em êxtase… mas muitas vezes não sabemos perceber isso em nós mesmos, ou quando percebemos, não sabemos o porquê de estarmos sentindo o que estamos sentindo.

Mas que falta de controle é essa que nem mesmo sabemos o porquê de sentirmos o que sentimos? Tudo bem sentir sentimentos, sejam eles bons ou ruins, mas não saber o porquê eles estão ali é que é o mais intrigante! Isso significa que precisamos de ajuda, pois sozinho não está bastando.

Uma segunda consequência seria a transformação de si em algo que não se busca.

Quando não nos reconhecemos, mas continuamos crescendo, estamos dando forma a algo que não sabemos exatamente o que é, muito menos o que vai ser quando estiver pronto. É muito difícil ter que enfrentar algo que nem mesmo se sabe o que é aquilo em que se está lidando, é como ter que pedir ajuda urgente em um idioma que não se fala, já pensou que loucura?

Para que se possa seguir de uma forma lógica: se você não sabe quem é, você não sabe o que quer, se não sabe o que quer, faz aquilo que lhe é imposto a fazer, portanto não sabe o que faz, ou pelo menos o porquê de fazer o que faz, mas faz. Consequentemente, você cria algo que não sabe o que está criando, pois está fazendo, mas não sabe o que está fazendo, então como pode saber que vai conseguir lidar com aquilo que está criando?

E uma terceira consequência seria a dificuldade de reestruturação de algo que já se tornou grande e está formado.

Quando algo está no começo, nós podemos modelá-lo da forma que bem entendemos, porém quando se está formado, o trabalho de se modificar aquilo que já se tem uma estrutura é muito maior. É como Michelangelo querer fazer o Davi em outra posição depois que já está pronto.

Pode parecer desmotivador, não é? Às vezes na sua vida há algo que tem sido construído há muito tempo, e por mais que aquilo é algo que você não sabe o que é, já está há tanto tempo em andamento… então por que parar?

A resposta é simples: É como se Michelangelo olhasse para Davi, mas nunca ficasse satisfeito com o que vê, e assim nunca mostrasse ele ao mundo.

Se você se sente assim, está tudo bem. O que não estaria tudo bem é se sentir assim e decidir não mudar, não fazer nada.

Existe uma forma, é possível trilharmos o caminho daquilo que queremos alcançar e a solução para isto é encontrar-se, manter-se no caminho que sabe que deve seguir e não se deixar desvirtuar.

Sim, esta é uma resposta primeiramente vaga, mas é importante pensarmos sobre aquilo que queremos fazer, entendermos qual seria a nossa forma de lidar com a questão para aí sim entendermos e pensarmos em outra opinião.

Então eu até convidaria você, nesse momento, para desviar os seus olhos e pensar sobre como você agiria para manter-se no caminho que quer seguir e não se deixar desvirtuar.

Pronto? Tirou um tempinho para pensar por si? Beleza, então vamos dar sequência

Não sei se você sabe, mas o hormônio HCG é o que chamam de hormônio da gravidez. Sabe o que ele tem a ver com tudo isso? Nada, mas é o nome que eu resolvi dar para o método que acredito ser o ideal para termos uma melhor comunicação interna, o método HCG:

O H é de ‘Hobbies’, faça algo que gosta e tenha um tempo para você. Começar a se curtir, saber o que você mesmo gosta é dar um passo em direção a saber o que você quer e até mesmo o que vai querer. Lewis Carroll, o escritor de Alice no País das Maravilhas tem uma frase que diz ‘Para quem está perdido, qualquer caminho serve’, e é a mais pura verdade. Você precisa saber onde está, para ter condições de perceber onde quer chegar, pois se você não sabe onde está, pode até ter o mapa mais detalhado do mundo na mão, você não vai conseguir chegar a lugar nenhum, pois não consegue se localizar…

O ‘C’ vem de ‘Companhia’. Tenha pessoas de confiança que saibam dos seus planos, que te apoiem e te ajudem a se manter no caminho que quer seguir. O ser humano não nasceu para viver sozinho, e acredito que o filme Náufrago com Tom Hanks retrata isso muito bem, afinal, ele trata a bola como um ser humano e um grande amigo (que tem o rosto desenhado com o próprio sangue).

O isolamento e o afastamento trazem muitas consequências a uma espécie que está acostumada a viver em conjunto, a pandemia mesmo nos mostra isso, portanto, ter pessoas do seu lado que querem o seu bem e que farão de tudo para te apoiar em suas jornadas se torna essencial. Um detalhe importante, normalmente essas pessoas se contam nos dedos da mão.

E o ‘G’ vem de ‘Guard rail’, aquilo que te ajuda a manter a direção quando as circunstâncias buscam lhe desviar.

É normal que ao longo da nossa vida nós tenhamos diversos tipos de desvios. Muitos deles podem ser saudáveis a um aprendizado a longo prazo, mas sempre devem ser percebidos, e quando se percebe que tem-se desviado demais do seu caminho é que devemos criar uma rotina de ‘Guard Rail’.

O Guard Rail seria essa rotina para te lembrar de quem você é, o que você faz, o que você quer, e principalmente, por quê você faz o que faz e por quê quer o que quer.

Como um exemplo pessoal, eu poderia citar o Reiki, uma prática de alinhamento dos centros de energia do corpo. Essa prática pode te mostrar coisas surpreendentes de si mesmo, tendo um profissional capacitado e estudioso, você percebe que ele ou ela realmente consegue identificar o que acontece nos seus campos de energia e te ajuda a se alinhar consigo mesmo, sim em quadrantes físicos, mas principalmente espiritual, mental e emocional.

Quando o assunto é sobre nós, sobre a comunicação de si com si, nada pode fazer com que você dê o primeiro passo (e na verdade nem o segundo, terceiro, ou qualquer outro) do que você mesmo. Ninguém pode pegar a sua perna e dar esse passo por você, quem deve fazer isso é o cara ou a mulher que você vê no espelho. Se conhecer é difícil, mas não se conhecer também é difícil. Basta você escolher qual dos ‘difíceis’ você prefere viver

A cada dia que passa e você não se preocupa em se conhecer e se melhorar, é mais um detalhe que acrescenta no seu Davi que terá de ser reformado. Cuidado, pois quando ele estiver pronto, será muito mais doloroso tê-lo de deixar para trás, mas quando o seu novo Davi estiver pronto, você verá o quão mais lindo ele é, e o quanto valeu a pena ter passado por essa mudança.

Hoje é o melhor dia para mudança, não é o ano que vem, nem mesmo amanhã, é hoje!

Muito obrigado.

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